Outono
Ele sentou-se no muro, sobre aquele miradouro caiam já as folhas amarelas de Outono, esvoaçando pelos telhados da cidade... lá ao fundo o mar, um navio distante, o silêncio...
Há muito que não sabia dela, a sua janela continuava fechada e as cartas continuavam no parapeito, envelhecidas pelo vento e o pó amarelo das ruas... estaria de viagem? O seu coração pesava... esperou... deixou-lhe uma última mensagem numa da folha de outono, e deixou-a voar com o vento, na esperança de que, por sorte ou destino, viesse ao seu encontro.
Saudades
Rute
tenho saudades tuas... dos mimos...
saudades de dançar contigo, de te fazer rir,
saudades dos teus olhos laranja, da tua boca de beijo,
saudades dos sorrisos no escuro, das mãos dadas, dos pés entrelaçados,
saudades dos passeios à noite em silêncio, das conversas sem sentido.
tenho saudades dos abraços,
de morrer nos teus braços, e de neles renascer de manhã.
Tenho saudades de te ver partir, de te ver chegar, saudades de sonhar, saudades de te sentir...
tenho saudades de tudo menos de te amar, pois amo-te desde o dia em que te conheci.
És o amor da minha vida.
Vento
oh meu amor, de repente abro os olhos, dou por mim perdido na bruma, por detrás dela está o ceu azul, e a terra castanha, encontro as tuas pegadas mas não te vejo, e em cada uma delas estão cartas de amor para mim, cartas de saudade e de tristeza, cartas que por me ter perdido em voltas nunca as li, leio-as agora meu amor, leio-as e sinto que te deixei só, mesmo sem o saber, como se só olhasse para mim, e a tua imagem tivesse sido substituida por um espelho sujo, o espelho partiu-se e sigo os teus longos passos, na planície desconhecida, na esperança que no horizonte olhes para trás e vejas a minha figura trémula, primeiro um ponto cintilante, depois talvez uma pequena figura trémula de capa, uma silhueta de cartola, depois as cores, as mãos, a água e as nuvens, as tuas, as minhas ...sinto ainda na minha pele o teu toque, e das partículas que me compõem tantas delas são tuas, são elas que me levam até ti como um rio que desce uma suave colina.
E um dia percebemos que já não há véus, nem sombras escuras, a paisagem já não é um plano de terra, mas aquele jardim que não ficou perdido na memória, e percebemos que se nos perdemos foi apenas para nos reencontrarmos. Trazemos as malas da viajem, pesadas, cheias de coisas que compramos sem o querer, e só se as pousarmos, nem que seja pelo mais breve momento, poderemos dar as mãos, como o fizemos na criação do mundo.
O que trouxemos faz parte de nós, como uma outra pedra, planta ou flor no jardim, um novo pináculo no horizonte, um navio distante, uma janela fechada. Nós somos os mesmos... o mesmo terraço, e se ele tem outras portas e arcos, não importa, pois podemos sempre juntos ver o sol e a lua a dançar no céu.
Desculpa
Estou aqui sozinho a pensar em ti, a procurar por todo o lado maneira de te pedir desculpa pelo que fiz e não fiz, pelo facto do mundo rodar e eu me perder nas suas voltas, como se num carrocel olhasse para as nuvens e por momentos perdesse a noção do seu centro, dos seus engenhos, dos seus cavalos... são essas voltas que por vezes nos podem fazer cair no chão sêco e poeirento onde mora o desgosto sem fim.
Mas são os teus olhos, aqueles que tinhas numa tarde distante, aqueles que tens ainda, que são um espelho daquele que é teu, daquele que sou eu. São eles sempre que me fazem saber, que debaixo da dôr, do medo, e de todas as coisas que existem como camadas sobre o nosso Amor, que ele está lá, como o sol que ilumina céu e aquece o mar, e que nem espaço, nem tempo, nem nada, o pode apagar.
Meu amor...
In the box
Dentro de uma caixa pequenina do tamanho do mundo, na sombra de uma àrvore, debaixo de uma folha de outro Outono entre dois grãos de areia, deitado a dormir está o meu espírito.
Qual folha?
Qual àrvore?
Qual caixa?
Encontra-me, dá-me a mão... que eu não posso estar mais só.
Lista das coisas que te irritam
Eu não tenho nenhuma lista especial para escrever, apenas te posso dizer que se a escrevesse hoje seria sobre as coisas horríveis que me fazes.
Apesar de tudo isso, e de perceber que me odeies por não fazer Lassis bem feitos, eu gosto de ti, tal como és, com ou sem birra, gordo ou magro, com calças limpas ou não.
Espero que tenhas isso em consideração quando deixares de gostar de mim por uma coisa estúpida como yougurte com pêssego.
Apesar de tudo isso, e de perceber que me odeies por não fazer Lassis bem feitos, eu gosto de ti, tal como és, com ou sem birra, gordo ou magro, com calças limpas ou não.
Espero que tenhas isso em consideração quando deixares de gostar de mim por uma coisa estúpida como yougurte com pêssego.
Sol dourado
No meio da areia dos anos, debaixo do Sol dourado de Setembro,
senti o teu beijo e acordei. És a minha estrela do mar!
senti o teu beijo e acordei. És a minha estrela do mar!
O homem invisível

Ele pegou nas tartarugas, no queijo e na ervilha congelada
e acenou ao navio que parava no cais, era uma manhã de Primavera
e acenou ao navio que parava no cais, era uma manhã de Primavera
e todas as gaivotas flutuavam nas ondas, e o chapinhar das ondas malandras
abafava o leve flautar da brisa sobre os cabos dos mastros.
Ele pegou na mão dela, e olhou para o interior dos seus olhos.
Era cedo, e o mundo ainda estava a acordar, eles (os olhos) brilhavam
com aquele seu ar de menina de 5 anos. Sorriram.
Era cedo, e o mundo ainda estava a acordar, eles (os olhos) brilhavam
com aquele seu ar de menina de 5 anos. Sorriram.
A partir daquele dia nunca mais atravessou o oceano sem ela.
Se alguma vez te parecer...
Se alguma vez te parecer
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
Ouvir coisas sem sentido
Não ligues sou eu a dizer
Que quero ficar contigo
E apenas obedeço
Com as artes que conheço
Ao principio activo que rege desde o começo
E mantêm o mundo vivo
Se alguma vez me vires fazer
Figuras teatrais
Dignas de um palhaço pobre
Sou eu a dançar a mais nobre
Das danças nupciais
E em minhas plumas cardeais
Em todo o meu esplendou
Sou eu, sou eu nem mais
A suplicar o teu amor
É a dança mais pungente
Mão atrás e outra à frente
Valsa de um homem carente
E é!
O meu amor é tonto como são tontas as manhãs de Maio,
embora depois do almoço a barriga não esteja cheia, mesmo
assim, no mês de Abril o meu amor é tonto, tão tonto no Estoril.
Mesmo quando o Sol se põe lá para os lados de Alfama,
o meu amor é tonto, tonto como quem te ama.
Viram os ventos e o calor do verão, e lá na praia
longe olhando o mar, o meu amor é tonto, tonto no coração.
Sentei-me naquela rocha do alto do monte,
e vi o meu amor tonto a atravessar a ponte,
tonta era a ponte que atravessava e tonta era a margem
na qual chegava, e da margem nascia o monte...
e que monte tonto era, e lá em cima pensava um tonto: " o meu amor é tonto"
mas o tonto também era...
embora depois do almoço a barriga não esteja cheia, mesmo
assim, no mês de Abril o meu amor é tonto, tão tonto no Estoril.
Mesmo quando o Sol se põe lá para os lados de Alfama,
o meu amor é tonto, tonto como quem te ama.
Viram os ventos e o calor do verão, e lá na praia
longe olhando o mar, o meu amor é tonto, tonto no coração.
Sentei-me naquela rocha do alto do monte,
e vi o meu amor tonto a atravessar a ponte,
tonta era a ponte que atravessava e tonta era a margem
na qual chegava, e da margem nascia o monte...
e que monte tonto era, e lá em cima pensava um tonto: " o meu amor é tonto"
mas o tonto também era...
Milli coisas
Sei lá ... sei lá... há sempre tanto para escrever,
tantos caminhos para nos perdermos em labirintos
do pensamento.
Em florestas de sonhos nos vemos,
mesmo que do alto das copas só vejamos apenas
árvores e mais árvores, há sempre algures num lugar
que bate como um relógio, aquela brisa de mar
e aquele horizonte de azul sobre azul de verde.
Onde sabemos chegar.
Faz-me voar!
Meu estapor.
Meu amor.
Deram as mãos e cortaram o vento e as nuvens, passaram
dentro dos raios de sol, e por debaixo do Mar.
tantos caminhos para nos perdermos em labirintos
do pensamento.
Em florestas de sonhos nos vemos,
mesmo que do alto das copas só vejamos apenas
árvores e mais árvores, há sempre algures num lugar
que bate como um relógio, aquela brisa de mar
e aquele horizonte de azul sobre azul de verde.
Onde sabemos chegar.
Faz-me voar!
Meu estapor.
Meu amor.
Deram as mãos e cortaram o vento e as nuvens, passaram
dentro dos raios de sol, e por debaixo do Mar.
Nota de rodapé.
Não achas que está na hora de escrever aqui qualquer coisa que não seja só corações cor-de-rosa e flores azuis? Qualquer coisa com substância, qualquer coisa carregada de emoções e desejos e paixões? Uns poemazitos, assim, "florbela espanquicos".
Vale a pena pensar nisto.
Vale a pena pensar nisto.
Coisas tontas.
És muito, milli, mais que mais e muitos millis e centillis e trilililas!
Gosto de ti e tu só dizes rititi!
Gosto de ti e tu só dizes rititi!
You are my Sunshine...
my only sunshine!... You are my sunshine my little sunshine... my very silly sunshine, the very sunshine... my sunshine sunshine, my shiny sunshinyshy, my little shy sun sunshine, my shy shiny little chili sunshine, my chili chili shiny chinese sticky silly sunshine, so shy, so why? Why do you shine so bright? Because... You are my sunshine!
Mitos (dizem por aí)
Uma batata muito farta de comer cogumelos vira-se para a banana e diz-lhe com um ar muito espantado.
- Estou a explodir, comi que nem um abacate! Queres fazer-me um favor?
- O quê? - Pergunta a banana inocente.
- Tira a casca e deita-te.
E foi assim que as batatas e as bananas criaram a batata doce.
- Estou a explodir, comi que nem um abacate! Queres fazer-me um favor?
- O quê? - Pergunta a banana inocente.
- Tira a casca e deita-te.
E foi assim que as batatas e as bananas criaram a batata doce.
Salgamonstra
É assim que as Salgamonstras são, não escrevem coisas queridas para mim, aquele que merece e quer coisas boas, e monstrices de todos os tipos, salgamonstras más! Quero mais, quero tudo o que há no mundo! Quero-te a ti Salgamonstra que até o mar salga! =)
ponto de interrogação
subitamente uma escada surgia no horizonte.
miragem?
devo comprar bilhetes de comboio?
miragem?
devo comprar bilhetes de comboio?
Sentado na areia...
ele ouvia o mar,
e lá longe perdidos no vento,
aqueles estanhos navios a balançar.
Sentada no mar
ela ouvia o vento,
e lá longe perdido na areia
aquele estranho homem assim a escutar.
Sentados no vento
eles ouviam a areia,
E lá longe por entre os navios
todo aquele mar.
Balançava o vento que era a canção,
Voava a areia que sabia voar
e roçava leve nas dunas do mar,
Rugiam os navios de prata e de sal,
Navios de mim, de ti... no meu coração.
e lá longe perdidos no vento,
aqueles estanhos navios a balançar.
Sentada no mar
ela ouvia o vento,
e lá longe perdido na areia
aquele estranho homem assim a escutar.
Sentados no vento
eles ouviam a areia,
E lá longe por entre os navios
todo aquele mar.
Balançava o vento que era a canção,
Voava a areia que sabia voar
e roçava leve nas dunas do mar,
Rugiam os navios de prata e de sal,
Navios de mim, de ti... no meu coração.
Se o mundo fosse um queijo
Antes demais, sem saber bem o que escrever, tu dormes a meu lado, naquele sono bom de sofá, aquele que para mim é o "chocolate" do sono. Aquele que muitas vezes partilho contigo e desejo que o mundo fosse apenas isso e mais nada. É ver o céu a rodar, e o rodar do céu a rodar, e o rodar do rodar do céu que noz faz sentir o tempo a passar, e de repente, naquele buraco no queijo que somos nós estamos em casa, e percebo que não preciso de mais nada a não ser esse buraco de queijo e do céu a rodar sem fim para ser feliz. Ma tonte, je t'aime!
Alberto Caeiro
Quando Eu
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor — Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
Quando eu não te tinha
Amava a Natureza como um monge calmo a Cristo.
Agora amo a Natureza
Como um monge calmo à Virgem Maria,
Religiosamente, a meu modo, como dantes,
Mas de outra maneira mais comovida e próxima ...
Vejo melhor os rios quando vou contigo
Pelos campos até à beira dos rios;
Sentado a teu lado reparando nas nuvens
Reparo nelas melhor — Tu não me tiraste a Natureza ...
Tu mudaste a Natureza ...
Trouxeste-me a Natureza para o pé de mim,
Por tu existires vejo-a melhor, mas a mesma,
Por tu me amares, amo-a do mesmo modo, mas mais,
Por tu me escolheres para te ter e te amar,
Os meus olhos fitaram-na mais demoradamente
Sobre todas as cousas.
Não me arrependo do que fui outrora
Porque ainda o sou.
canetas de feltro
Algures num banco de jardim ouvindo melros a comer pistachios
Que te dizer destes longos dias de Verão?
Que as noites encolhem lentamente e que os raios de sol nos procuram mesmo quando estamos escondidos dentro dos nossos sapatos favoritos?
Tu sabe-lo também, por isso não seria novidade.
Hoje acordei e o dia estava cheio de pequenos silêncios onde ia tropeçando de quando em vez. Seguro na mão um fio. Um fio que aperto com força para que não deixe escapar o meu balão colorido.
E em sonhos, corro sobre relva molhada de braços esticados a olhar o céu, e nesses momentos em que acredito que posso levantar voo sem nunca perder o meu balão - eu sinto-me feliz!
Dentro de mim há uma lista interminável onde vou colocando - um a um - todos os meus sonhos.
E o que mais quero, é fazê-lo com canetas de feltro.
O lado escondido da garrafa de vidro
E sei que sentes e que sabes, que sinto que sabes que sentes que sei!
Sei lá... que quando as aventuras começam não sabem mais acabar, e te digo que me levas a lugares por onde viajas... viajo contigo nesses lugares perdidos onde perdida me perdes e encontras. Ambos sabemos que não se quer a escuridão senão apenas para dar beijos e abraços no escuro. E que tudo o que se vai passando, passa, e de novo recomeça.
E de novo nos vemos como cavaleiros andantes (tu és o gordinho que vai no burro... =)) a cavalgar as distâncias que não são mais as nossas, mas as daquilo que vamos alcançando com o rodar do sol e o girar de um abraço que só nós sabemos dar.
Sei lá... que quando as aventuras começam não sabem mais acabar, e te digo que me levas a lugares por onde viajas... viajo contigo nesses lugares perdidos onde perdida me perdes e encontras. Ambos sabemos que não se quer a escuridão senão apenas para dar beijos e abraços no escuro. E que tudo o que se vai passando, passa, e de novo recomeça.
E de novo nos vemos como cavaleiros andantes (tu és o gordinho que vai no burro... =)) a cavalgar as distâncias que não são mais as nossas, mas as daquilo que vamos alcançando com o rodar do sol e o girar de um abraço que só nós sabemos dar.
Fundo do copo
Gosto de espreitar pelo fundo dos copos, o mundo fica redondo e distante. Não sei quanto tempo passou por baixo da velha ponte vermelha, sem termos dado por isso. Sei que foi algum porque agora as árvores têm folhas e eu tenho dedos que fazem desenhos no teu cabelo. Que viagens foram essas que fizeram os nossos pés crescer? Devemos culpar o tempo por os navios nunca serem os mesmos, culpa-lo de esticar os domingos e de nos roubar as noites? Será também dele a culpa das palavras dançarem à luz da lua nos dias de sol em que o céu se mantém azul para sempre?
Culpa-lo das cartas que nos rouba, de todas as frases que retém como prisioneiras?
Queria muito estar em 1920 e ter aquela eterna esperança de que um dia és capaz de voltar nesse mesmo comboio que te levou para tão longe, mas não sou a mesma, parece que ate essa parte mudou e não sei com o que posso contar daqui para a frente. Só sei que gostas de pernas lisas, daquelas sem fim, e eu prefiro os barcos à vela que mal se vêem no horizonte longínquo... Iremos algum dia escolher o mesmo gelado?
Tantas são as perguntas por responder e tantas as respostas que podemos escolher.
Estou no telhado, e vou deixando cair bilhetes na esperança remota que um dia os possas ler!
a lapis
percorri o papel com a mão, para sentir talvez aquelas inúmeras rugas que por si só constroem mundos de montanhas minúsculas e vales que não se vêem, e que resultam apenas naquele som suave das mãos a passar pela superfície do papel, e somos nós também mundos por dentro e por fora, e por dentro do dentro também somos, nas nossas cabeças que também criam mundos... fazes parte de todos aqueles que são meus.
Caramelo.
Alô Alô, fala da parte do avô.
Estás desse lado? O que é este silêncio? Em que rua estás? Não ouço...
Plim plam plum
(carta incompleta ao amigo)
Algures, Março de dois mil e sete
Há momentos desgraçados, são aqueles que nos bloqueiam. Ficamos num silêncio angustiante, e é tudo calmo, não se ouve nada. O mastigar ocupa o lugar da conversa, depois vêm os talheres, o copo, o passa pra ca aquilo. E o que sobra?
Já pensaste nisso alguma vez, nessas coisas pequeninas que crescem como fungos verdes no fundo da taça das frutas?
Nem sei o que te escrever. Afinal onde é que tu andas? Ja te tinha dito que não sou nada destas coisas de escrita, as coisas que me fazes fazer. Saudades dos copos de antes. E as bebedeiras no chafariz do Beco Escuro? Vê la se apareces.
És meu amigo. Quero que o saibas.
Ate breve.
do teu amigo (sempre)
Francisco
Se o sol fosse feito de queijo....

Ah... que pensar senão naquilo que sentimos nesses dias de Sol, é verdade que não são sempre assim, e que de todo o lado se perdem os ecos das luzes, que na cidade hà praças mas que as ruas la estão também, por vezes sombrias, por vezes a espera na estação é mais dificil do que a espera no comboio durante a viagem, é que ao ver o mundo a passar debaixo dos nossos pés, ele passa também debaixo das nossas mentes, e não nos sentimos parados.
e seu eu pudesse pôr-te a voar, ou a girar como um pião, fa-lo-ia... fa-lo-ei!
Diz-me uma coisa...
A verdade é que nem sempre vamos ter sol, nem sempre o vamos ver mover-se no céu, nem sempre vamos dar atenção ao movimento subtil das sombras sobre a calçada; nem sempre vamos ter cadeiras em praças iluminadas pela tarde; nem sempre vamos ter sorrisos ou gargalhadas; nem sempre vamos escutar o crepitar da lareira e apreciar as suas cores; nem sempre vamos falar da D. Almerinda – a verdade é que há dias em que é preciso esquecer todas essas coisas para podermos aproveitar as coisas de agora.
Quero o agora. Quero rodas na areia, conchas na mão, janelas e pedras, meias! E silêncios...
Das-me a mão e voamos alto!
«É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
Mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
E se outras voltas me fazem ver nos teus
Os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
Porque esse breve olhar nos fez imaginar que
Só nós é que o fazemos andar.»
(Nuno Júdice)
Quero o agora. Quero rodas na areia, conchas na mão, janelas e pedras, meias! E silêncios...
Das-me a mão e voamos alto!
«É nos teus olhos que o mundo inteiro cabe,
Mesmo quando as suas voltas me levam para longe de ti;
E se outras voltas me fazem ver nos teus
Os meus olhos, não é porque o mundo parou, mas
Porque esse breve olhar nos fez imaginar que
Só nós é que o fazemos andar.»
(Nuno Júdice)
Tu: Se fosse de outra forma não seria da mesma, tal e qual como escrevvo ou escreves,
é do vinho que sem todas as palavras que canto, mas sem medo sem qualquer pensamento senão o imediato, senao o fugaz momento em que passamos a correr pelas avenidas da vida, e da vida e da vida.... e sei lá...
Olhas para mim com esse ar de Rute e ri-te da minha forma de me enganar, e escrever mal as palavras...
Eu: E engraçado como ao falares dessas coisas que sentes tens a tendencia para usar pedaços de cidades, ou lugares, como avenidas e praças e ruas, como se elas de facto fizessem parte de ti e tambem tu fosses uma cidade com muitos lugares e sempre a crescer, a crescer e tu nem sabes, esta alem daquilo que consegues saber de ti e das coisas que estão por dentro. Estou tonta, e grande e pequena ao mesmo tempo, nem sei, parece que estive a girar durante muito tempo e agora não sei para que lado é norte... Eu falo sempre de cores... devo ser uma paleta qualquer, ou então não sei... um tubo de tinta.
Tu: Grande lata!, porque é que eu sou "Tu" e tu es "Eu"?
Eu: Porque eu é que tive a ideia.
Tu: Mas eu é que comecei a escrever, seu tubo de tinta!
Eu: Seu projecto de gaveta.
Tu: Vamos mas é para a cama!
Eu: estou tonta... o que é que aquele vinho tinha?
Tu: Hic..
Gosto de ti (eu)
Vai-te lixar! * (tu)
é do vinho que sem todas as palavras que canto, mas sem medo sem qualquer pensamento senão o imediato, senao o fugaz momento em que passamos a correr pelas avenidas da vida, e da vida e da vida.... e sei lá...
Olhas para mim com esse ar de Rute e ri-te da minha forma de me enganar, e escrever mal as palavras...
Eu: E engraçado como ao falares dessas coisas que sentes tens a tendencia para usar pedaços de cidades, ou lugares, como avenidas e praças e ruas, como se elas de facto fizessem parte de ti e tambem tu fosses uma cidade com muitos lugares e sempre a crescer, a crescer e tu nem sabes, esta alem daquilo que consegues saber de ti e das coisas que estão por dentro. Estou tonta, e grande e pequena ao mesmo tempo, nem sei, parece que estive a girar durante muito tempo e agora não sei para que lado é norte... Eu falo sempre de cores... devo ser uma paleta qualquer, ou então não sei... um tubo de tinta.
Tu: Grande lata!, porque é que eu sou "Tu" e tu es "Eu"?
Eu: Porque eu é que tive a ideia.
Tu: Mas eu é que comecei a escrever, seu tubo de tinta!
Eu: Seu projecto de gaveta.
Tu: Vamos mas é para a cama!
Eu: estou tonta... o que é que aquele vinho tinha?
Tu: Hic..
Gosto de ti (eu)
Vai-te lixar! * (tu)
[16 de Fevereiro
Introdução tonta da historia mais tonta que jamais existiu... (ou nem por isso)
Just because I don't say anything
Doesn't mean I don't like you.
I open my mouth and I try and i try
But no words come out.
Without 40 ounces of social skills
I'm just an ass in the crack of humanity.
I'm just a huge manitee.
A huge manitee.
And besides you're probably holding hands
With some skinny, pretty girl that likes to
Talk about bands, and
All I wanna do is ride bikes with you
And stay up late and watch cartoons.
[The Moldy Peaches
Ela: Finalmente construimos o nosso espaço (um espaço tonto não é?) Como vai ser agora?
Ele: Vai ser assim: tratamos de descrever a incrível aventura de um ou dois bigodes, perdidos algures na vontade de serem mais longos.
Ela: Parece-me que estas a hesitar... Hum... e se fossemos pra cama e depois fazemos isto?
(ele sorri)
Ele: ...
(depois continua)
Ela: Finalmente construimos o nosso espaço (um espaço tonto não é?) Como vai ser agora?
Ele: Vai ser assim: tratamos de descrever a incrível aventura de um ou dois bigodes, perdidos algures na vontade de serem mais longos.
Ela: Parece-me que estas a hesitar... Hum... e se fossemos pra cama e depois fazemos isto?
(ele sorri)
Ele: ...
(depois continua)
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